
Sabe aquele desenho que você adora quando era criança? Pra você ele é perfeito, a melhor coisa já criada na história das coisas criadas. Mas sabe também quando você vê esse mesmo desenho anos mais tarde ele não te parece tão bom? Foi assim que eu me senti antes de começar o show do Yellowcard.
Confesso que não os escutava mais com tanta frequência e que só fiquei sabendo que eles tinham lançado um Cd esse ano (“When You’re Through Thinking, Say Yes”) por causa do show que eles iriam fazer.
Eu me lembro bem o puta show que eles fizeram em 2006 na mesma Fundição. Dessa vez com público um pouco menor do que o de 5 anos atrás, eles pisariam no mesmo palco, e eu estava lá, de novo, motivações diferentes e bem menos ansioso, já que eu era 5 anos menos fã.

Lights out e gritos histéricos, bem mais histéricos que eu esperava e “For you, and your denial” é a primeira e boa música do show, a segunda do ótimo último cd. Eu tenho a seguinte teoria para músicas de abertura de show: como o público já vai se empolgar com qualquer coisa, tasca alguma do cd novo e emenda clássicos na sequência para pegar todo mundo pelos bagos, e foi isso que o Yellowcard fez, as duas músicas que vieram depois fizeram exatamente isso. “Way away” e “Breathing”, ambas do “Ocean Avenue”(2003), Cd de maior sucesso da banda. Audience balls in the pocket.

Se mostrando musicalmente muito melhor do que a 5 anos (dã), a banda mandou fuderosamente “Fighting”, “Rough Landing, Holly”, “Down On My Head”, “Five becomes Four”, que foram tão puladas e cantadas quanto as primeiras.Sem dar tempo nem de eu pensar em comprar um refri, vieram “Down on my Head” e “Life of Leaving Home, outras boas músicas do último cd, mostrando que o tempo que a banda ficou inativa (2008-2010) fez muitíssimo bem. Na parte “silêncio que sucede o esporro”, Ryan key com seu violão (sem banquinho) mandou a bela versão acústica de “Empty Apartment” e sa baladinha do ultimo cd “Sing for Me”. Pra terminar a primeira parte do show outra excelente sequência com “Light up the Sky”, a ultramega cantada “Only One” e o superhit “Ocean Avenue”.

Depois da saidinha básica pro bis eles mandaram o ultimo single “Hang you up”, “Believe”, essa última com um show a parte do grande Mc da noite, o violinista Sean Mackin. Sean dita o ritmo da galera e da banda, sendo com mortais de costas, seja com solos violinistícos ou só mandando beijinhos pra todo mundo. Em suma, o cara. Pra fechar o baile pop – punk a porrada “Lights and Sounds”.

Tudo muito bom, todos muito bem. Bom show, boas músicas e ótimo público. Se eu fosse o bonequinho critico de cinema que fizesse uma análise fria do show, provavelmente eu estaria aplaudindo, mas como sou fã de música e nem um pouco didático, diria que o meu bonequinho ficaria olhando, nem gostando muito, nem odiando, só sabendo que provavelmente essa vertente musical talvez não me agrade mais tanto, exceção claro pro Blink-182, que se por um acaso tiver show deles aqui, eu volto a ter 16 anos, andar de skate e a adorar pop-punk. Eu sei, eu sou muito fácil…

















